
O mercado de câmbio teve uma segunda-feira de forte queda. Nesta tarde de 5 de outubro, o dólar comercial estava na região de R$ 5,00, depois de recuar mais de 4% no dia. O euro também caiu bastante e era negociado no mercado comercial por aproximadamente R$ 5,61. No caso do euro, a queda frente ao real chegou perto de 5% durante o dia. Valor Dólar
Para quem está planejando uma viagem internacional, porém, é importante entender que essa cotação que aparece nos jornais não é necessariamente aquela que você vai encontrar na hora de comprar moeda. Hoje, por exemplo, uma referência de mercado apontava o dólar turismo na faixa de R$ 5,37 e o euro turismo próximo de R$ 6,02. Esses valores não são únicos: podem mudar de uma casa de câmbio para outra, conforme a cidade, a forma de pagamento, o spread cobrado e os impostos incidentes na operação.
Afinal, qual é a diferença entre dólar comercial e dólar turismo?
Quando você escuta no jornal que “o dólar está a R$ 5”, normalmente estão falando do dólar comercial. Segundo o Banco Central, essa expressão é utilizada para operações como exportações, importações e transferências financeiras. Já o chamado dólar turismo é uma expressão usada principalmente para operações relacionadas a viagens internacionais, especialmente a compra e venda de moeda em espécie. A mesma lógica vale para o euro e para outras moedas. Banco Central do Brasil
O turismo costuma ser mais caro porque existe uma série de custos envolvidos até aquela moeda chegar ao consumidor: despesas administrativas, logística do dinheiro físico, margem da instituição, spread e impostos. Por isso, não adianta olhar apenas a cotação comercial e imaginar que você chegará a uma casa de câmbio e comprará dólar exatamente por aquele valor. O Banco Central deixa claro, inclusive, que as taxas podem variar de acordo com a natureza da operação, forma de entrega da moeda, cliente, valor e prazo de liquidação.
E onde entram os cartões multimoeda?
Aqui está uma diferença importante. Com o crescimento das contas globais e dos cartões multimoeda, o viajante passou a ter acesso a formas de conversão que podem ficar muito mais próximas do câmbio comercial do que do tradicional dólar turismo em espécie. Isso não quer dizer que exista oficialmente uma terceira cotação chamada “dólar do cartão”. O que existe é uma instituição que utiliza uma determinada cotação de mercado e acrescenta suas tarifas e impostos, chegando ao custo efetivo que você paga.
A Wise, por exemplo, informa que utiliza a taxa de câmbio comercial nas conversões e cobra separadamente as tarifas aplicáveis à operação. Na prática, portanto, você pode encontrar um valor final significativamente mais próximo do comercial do que o encontrado na compra de dinheiro físico. Outros cartões e contas globais têm políticas próprias de spread e tarifas, por isso a melhor comparação não é simplesmente perguntar “qual é a cotação?”, mas verificar quantos dólares ou euros você efetivamente recebe para determinado valor em reais.
Então é melhor comprar agora ou esperar?
É justamente aqui que muita gente erra. Uma queda forte como a de hoje representa, sim, uma oportunidade interessante para quem já tem viagem marcada, mas ninguém consegue afirmar que esse é o menor preço que dólar ou euro atingirão. O mercado está especialmente volátil neste momento, e a movimentação de hoje ocorreu em meio à reação dos investidores ao resultado do primeiro turno das eleições. Isso significa que novas notícias, pesquisas e expectativas para o segundo turno podem continuar mexendo bastante com o real nas próximas semanas.
Por isso, se eu tivesse uma viagem marcada, eu aproveitaria a queda para começar a comprar, mas não necessariamente compraria tudo hoje. Imagine que você pretende levar US$ 2 mil. Em vez de tentar adivinhar se amanhã o dólar chegará a R$ 4,90, R$ 4,80 ou voltará para R$ 5,20, você pode comprar uma parte agora. Se a moeda continuar caindo, compra outra parcela depois. Se voltar a subir, pelo menos uma parte do seu orçamento já estará protegida numa cotação mais favorável.
Essa estratégia é conhecida como preço médio e faz muito sentido para viagens. O objetivo deixa de ser acertar milagrosamente o menor dólar do ano e passa a ser construir uma boa cotação média até a data da viagem. Quanto mais perto estiver o embarque, menos interessante é deixar todo o dinheiro exposto à possibilidade de uma alta repentina.
Vale aproveitar a queda?
Com o dólar comercial rondando R$ 5,00, o dólar turismo perto de R$ 5,37, o euro comercial ao redor de R$ 5,61 e o euro turismo na casa dos R$ 6,02, eu considero que 5 de outubro abriu uma boa janela para quem precisa comprar moeda para viajar. Isso não significa que as moedas não possam cair ainda mais. Significa apenas que, depois de uma queda tão expressiva, já existe uma cotação bastante interessante em comparação com os últimos meses.
Por isso, a minha recomendação para o viajante seria: não tente acertar o fundo do mercado. Se você tem viagem marcada e a cotação atual cabe no seu planejamento, comece a comprar aos poucos. Se cair mais, você aproveita novamente. Se subir, você já garantiu uma parte.
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Source: Turismo


