Ônibus parados sem circular, pontos e terminais lotados, moradores organizam caronas: veja situação do transporte público de SP nas eleições

Na Zona Norte de SP, motoristas não queriam sair para levar as pessoas para votar

Na Zona Norte de SP, motoristas não queriam sair para levar as pessoas para votar

O transporte público de São Paulo enfrenta situação caótica neste domingo (25), dia de eleição do segundo turno para presidente da República, com ônibus parados, demora na circulação, pontos e terminais lotados e passageiros que relatam longas esperas.

Após o encerramento oficial do horário de votação, às 17h, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do horário de encerramento da votação até às 19h em todas as seções do país.

No Terminal Varginha, extremo sul da capital, moradores disseram ter aguardado até três horas por um ônibus. Em Santana, Zona Norte, e na região do Jardim Ângela, Zona Sul, também foram registrados passageiros em filas à espera de transporte. Na Vila Zilda, na Zona Norte, há relatos de motoristas que se recusaram a levar moradores aos locais de votação.

Pessoas que passaram de carro pelo entorno do Terminal Santana, por exemplo, encontraram ônibus parados e passageiros à espera de transporte público em meio à chuva. Diante da situação, um casal decidiu oferecer caronas a quem precisava se deslocar.

Santana tem ônibus parados nas ruas sem transportar pessoas para voto em SP

Santana tem ônibus parados nas ruas sem transportar pessoas para voto em SP

Em entrevista ao g1, uma pessoa que preferiu não se identificar, contou que saiu de casa com a intenção de ajudar passageiros, após notícias sobre a circulação de poucos ônibus e por causa das chuvas.

“Quando chegamos próximos ao Terminal Santana, vimos muitas filas e ônibus parados, sem prestar serviço. Passamos por volta das 14h30”, relatou.

Segundo o entrevistado, chovia bastante no momento em que o casal passou pelo local (veja vídeo acima).

Durante o trajeto, uma senhora contou que precisava votar no bairro Jaçanã. O casal perguntou se ela precisava de carona, mas percebeu que ela e outras pessoas estavam receosas em aceitar a oferta.

“Minha esposa saiu pelo terminal, perguntamos a muita gente, mas o receio de aceitar ficou nítido”, afirmou.

Ônibus estacionado nas proximidades do Terminal Santana, na Zona Norte de SP

Ônibus estacionado nas proximidades do Terminal Santana, na Zona Norte de SP

Na Estrada M’Boi Mirim, na altura do número 4.017, por volta das 13h, passageiros ficaram sob chuva aguardando transporte nos pontos de ônibus por mais de 40 minutos.

Moradores de São Paulo ficam horas no ponto de ônibus em dia de eleição

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PT denuncia à Justiça Eleitoral que SP opera com apenas 60% da frota

O Partido dos Trabalhadores (PT) denunciou à Justiça Eleitoral que a Prefeitura de São Paulo estaria operando com apenas 60% da frota de ônibus neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, apesar de uma decisão judicial que determinou a circulação de 100% dos veículos, em níveis equivalentes aos de dias úteis.

A denúncia ocorre em meio a relatos de passageiros sobre longas esperas nos pontos de ônibus e dificuldades para utilizar o transporte público em diferentes regiões da capital. Moradores registraram problemas no Jaraguá, na Zona Norte, além da Avenida Ibirapuera, na Zona Sul, e da Estrada do M’Boi Mirim.

A Justiça Eleitoral havia determinado, no sábado (24), que a Prefeitura e a SPTrans disponibilizassem 100% da frota regular de dias úteis durante o segundo turno. A decisão prevê multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento.

Moradores do Jardim Angela, Zona Sul de SP, enfrentam trânsito em dia de eleição

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O que diz a Prefeitura

“A SPTrans informa que foi notificada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 do sábado 24 de outubro sobre a determinação de colocar 100% da frota de ônibus municipais em operação neste domingo (25), com menos de 12 horas de antecedência em relação ao início da operação.

Imediatamente após receber a notificação, às 13h32, a SPTrans agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento. A atuação da empresa foi pautada pela agilidade, pela transparência e pelo compromisso com a prestação do serviço público de transporte.

É importante considerar, contudo, que a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos. Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição.

O planejamento originalmente estabelecido pela SPTrans foi elaborado com base em critérios técnicos e em dados efetivos de demanda. No domingo anterior, aproximadamente 6,9 mil ônibus estiveram em operação, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros. Esses indicadores subsidiaram a definição de uma oferta de transporte compatível com o comportamento observado da demanda.

Cabe destacar, ainda, que o plano operacional havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais competentes, sem questionamentos registrados até então, e foi adotado no primeiro turno. A programação foi divulgada com transparência, por meio de comunicados à população e aos órgãos responsáveis.

A SPTrans respeita as determinações da Justiça Eleitoral e atua para viabilizar o atendimento à população, observadas as condições operacionais necessárias à execução do serviço. A necessidade de alteração de um planejamento previamente estruturado, quando comunicada com antecedência inferior a 12 horas, deve ser analisada à luz das condições concretas de mobilização de veículos e profissionais, sem desconsiderar os impactos sobre a organização do trabalho e o direito ao voto dos trabalhadores.

Ressalta-se que a tarifa de ônibus municipais permanece gratuita aos domingos, conforme a política do Domingão Tarifa Zero, em vigor desde dezembro de 2023, garantindo à população o acesso ao transporte público sem cobrança de passagem.

A SPTrans permanece monitorando a operação e a disponibilidade da frota, atuando junto às concessionárias para assegurar o atendimento aos passageiros e contribuir para que todos possam chegar aos seus destinos, inclusive aos locais de votação, com segurança e eficiência.”


Source: g1 > Política