
Dentro do que se espera de um ex-casal com filho, tenho uma ótima relação com a minha ex-mulher. Melhor até do que a dela comigo…
Depois de um relacionamento de 25 anos, a parte mais difícil da adaptação no pós-divórcio amigável, assinado de forma consensual em dezembro de 2023, foi perder o convívio diário com o nosso filho Basílio e ir dormir sem dar o beijo físico de boa noite no Animalzinho.
E olha que, por comum acordo entre eu e Lays, a mãe, moramos em apartamentos próximos, no mesmo bairro da minha zona leste, para que o nosso adolescente (à época, prestes a completar 15 anos) pudesse ir a pé de um apartamento para outro.
À vera, mesmo que a residência legal fosse com a mãe, Basa também estava sempre comigo. E, nesses três últimos anos, só não esteve mais porque eu nunca quis fixar dias para a guarda paterna por não acreditar que, na prática, funcione morar em duas casas.
Deixamos para ele a opção de escolher. Como Basa, numa tentativa desnecessária de não me magoar, não quis dizer com todas as letras que era óbvio que ele preferia morar com a mãe, como eu e toda a torcida do Corinthians sabiamos, eu mesmo e a mãe concordamos que ele teria um quarto na casa do pai, mas o seu endereço-base seria o materno.
Zero problema. Seja buscando na escola ou levando nos 818 mil treinos de futebol, tentei que nosso contato fosse similar à época de casado. Aos finais de semana e feriados, nos 818 jogos dos 818 mil campeonatos, independentemente do término da nossa relação, eu e a mãe, sempre que a agenda permitiu, continuamos torcendo juntos pelo nosso lateral direito, filho único dos dois.
Dá para contar nos dedos de uma mão as semanas em que não tivemos contato pessoalmente e, falo isso, ciente de que não é mais do que minha obrigação de pai. Ex-marido, óbvio ululante, não é ex-pai. E nunca foi uma ideia competir com a mãe pela atenção do filho. Sou inteligente o suficiente para saber que seria goleado. Não tenho problema nenhum em admitir que se o Basa pode reclamar de alguma coisa do pai, ele não tem absolutamente nada para falar da mãe.
Como homem, a verdade é a de que tenho muitos medos, boa parte deles inconfessáveis, daqueles de chorar escondido e jamais admitir porque homem não chora nem tem medo de problema, certo? E o maior medo deles todos, esse de domínio público e anos-luz à frente do segundo, é falhar como pai. Pavor inútil porque o temor não impede que erros sejam cometidos.
Eu também nasci com a camisa do nosso time de coração pendurada na maternidade. E também chutei bola antes de andar. E, como Basa, fui atleta federado na base, no salão e no campo, dos 7 até os 17 anos… 17 anos, a idade atual do Basa. Foi aos 17, quando passei no vestibular de Jornalismo que, sem certeza nenhuma de que teria futuro no futebol, pendurei as chuteiras. Talvez por medo de fracassar…

Basílio, meu único filho, carrega até no nome do autor do gol mais importante da história da humanidade (gol que libertou o povo sofrido em 13 de outubro de 1977), a minha paixão pelo futebol. Paixão essa, ainda que pouca gente acredite, que nunca foi imposta, mas compartilhamos desde sempre.
O time de coração, sim, foi escolhido, está no DNA e poucas ideias. É Corinthians, não usamos verde e acabou! Agora, se ele iria gostar de jogar bola, de ver futebol, de torcer, o tamanho que o futebol teria em sua vida seria uma decisão dele. E, seja por DNA, seja por viver numa casa em que o pai e todos os tios e primos são completamente loucos, literalmente um bando de loucos, Basa sempre foi louquinho.
A mãe, também corinthiana apaixonada, não gosta de lembrar, mas, como não é papel de ex-marido ser gentil, lembremos que a segunda palavra que o Basa falou foi “pai”. A primeira? “Bola”! A “mãe” teve que se contentar com o bronze.
O segunda palavra, digo, o pai aqui sempre deixou claro para o Basílio que ele tem o fardo de carregar nos seus ombros, por livre-arbítrio, o difícil sonho de virar jogador de futebol. Já é difícil demais a pressão de carregar o próprio sonho para ele ter que carregar o meu sonho ou o sonho da mãe ou de quem quer que seja. Se ele quiser hoje, amanhã ou depois de amanhã desistir de lutar pela bola, como um dia eu desisti e só eu sei quanta dor e sofrimento aquela decisão me causou, continuará sendo o meu Basa e continuarei tendo o mesmíssimo orgulho do maloqueiro que criei.
Ele sempre ouviu e, agora, espero, está lendo também neste texto que a vida e o sonho são dele. Eu, quando desisti do futebol, no juvenil (o que hoje se chama sub 17) e não virei jogador, sei que frustrei muita gente. Não sou o único. Como ex-atleta, pai e jornalista esportivo há 30 anos, vejo todo dia, pais, mães, madrastas, padrastos, irmãos, primos, tios e tudo que é agregado sonhando o sonho alheio. Não é fácil ter que responder pelo sonho de tanta gente e, via de regra, frustrar o sonho de tanta gente.
Para tentar realiza o seu sonho (que ele sabe que, estatisticamente, é mais difícil que vestibular de medicina em universidade pública, é quase como acertar na loteria), Basílio se mudou para a cidade de Americana, no interior de São Paulo, cerca de duas horas da sua zona de conforto.

Vitor Guedes e Basílio Guedes, no Décio Vitta, estádio do Ro Branco e lar do Basa
Quando estava jogando no sub 17 do São Caetano, Basílio teve que abrir mão da escola que estudou dos 4 meses até o fim do ginásio (ou 9º ano) e dos amigos de uma vida toda para fazer o colegial (eu sei que os pós-modernos chamam de Ensino Médio, mas eu sou um pai raiz do tipo que chama a “Globo” de “Canal 5”) à noite, em outro colégio, dormir poucas horas, madrugar e, sozinho, andar até a estação de metrô, baldear para o trem no Brás, pegar mais um busão na rodoviária de São Caetano até o treino, treinar, fazer o mesmo trajeto na volta, botar a roupa única do treino na máquina para lavar, comer, ir pra escola… Tudo isso, na casa da mamãe boazinha, do tipo que pateticamente tirava a casca do pão de forma para o filhinho, e ao lado do pai desequilibrado.
Coube ao pai, autorizar o filho a tentar o sonho, sabendo que qualquer incidente que viesse a acontecer no traslado ou na escola ou em qualquer mudança provocada causada pelo futebol viria na minha conta e somaria a lista dos remorsos. À mãe, aceitar de cara feia e coração na mãe. Ao filho, de correr atrás e lutar, todo dia, pelo que é o sonho da sua vida.
Após passar na peneira no Rio Branco, Basa tinha que decidir se queria mudar para Americana, morar embaixo da arquibancada do estádio, em um alojamento com dezenas de outros meninos com o mesmo sonho, terminar o colegial na escola estadual mais próxima do clube, trocar as marmitas da mãe pelo almoço do alojamento e a merenda da escola na janta.
Como Basa decidiu pelo sim, coube ao pai a tarefa de convencer a mãe permitir. Nada que umas 18 conversas e umas 818 sessões de choro (da mãe, que fique claro), não resolvesse.

Basílio Ruiz Guedes assina com o Rio Branco em 2026
O futebol, maior paixão minha e também do meu filho, é cruel. Cruel para os meninos que “não dão certo”, ou seja, com 99% que não viram atletas profissionais e voltam, muitas vezes sem estudo e frustrados, à sociedade perdidos. Aliás, a expressão “voltar à sociedade” é correto, porque o futebol é um mundo à parte.
E o futebol também é cruel com os meninos do 1%. Os “que dão certo”, sem exceção, tiveram uma infância em que finais de semana com familiares e amigos foram trocados por competições; festinhas, baladas, namoros e paqueras foram desperdiçados por compromissos “profissionais” das crianças; o lúdico, o amador e o prazer foram bloqueados pela “obrigação”.
É duro pra todo mundo, muito mais duro, óbvio, quando a criança é obrigada pelo pai, pela mãe ou pelo adulto (ir)responsável que for a suar pelo desejo de outrem.
Perto de completar 18 anos e no seu primeiro ano da categoria sub 20, ainda é cedo para saber se Basílio “vai vingar” no futebol, como é, neste momento, 23 de setembro de 2026, o SEU sonho. Mas, como homem, branco, cis, hétero, de classe média paulistana e ex-atleta, safra 1977 e, pois, nascido e criado em um mundo extremamente machista, sei como o futebol, quando vivido sem orientação, pode ser perigoso na formação dos jovens.
Essa coisa de que “esporte é saúde” e que “o futebol educa” são frases feitas repetidas por quem nunca viveu esporte de alto rendimento de perto. No mundo real, à vera, futebol, especialmente na base, mais ainda no final estreito do funil, é um pega para capá, um cada um por si levando o resultado acima da saúde física e mental.
E tem mais um agravante. Se o mundo é machista e misógino, o futebol, na sua lógica paralela, é uma espécie de túnel do tempo que volta aos anos 1980. Atraso de vida. A mulher, seja na arquibancada, seja na administração, seja na torcida, sofre no futebol incomparavelmente mais do que em outras áreas da sociedade.
Os gritos e assobios bárbaros, ouvidos no século passado quando uma moça passava em frente à uma obra, por exemplo, ainda é, em muitos estádios, a regra na arquibancada. No mundo ocidental, não há lugar que mulher tenha mais medo de se vestir como bem entender do que no futebol. No Oriental? Em muitas praças, a presença feminina é proibida por lei.
Ler, há uns dez dias, a notícia de que o atacante Felipe Teresa, 20 anos, promessa da base do Palmeiras, foi acusado pela ex-mulher e mãe de seu filho de agressão de agressão doméstica, me entristeceu e me preocupou bastante. O caso foi registrado na Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá e encaminhado à 94ª DP, em Piraí. O atleta e a vítima assinaram acordo para que o caso seja tratado de maneira reservada e Marcelle Barbosa, a vítima, tirou o vídeo com as acusações das redes sociais.
Ao lembrar do caso, aqui, a intenção não é atirar pedra em Felipe nem chamar holofote particular para Marcelle Barbosa, a vítima, que merece, óbvio, toda assistência, solidariedade e proteção estatal.
Confesso, sem orgulho, mas num exercício difícil de 100% de sinceridade, que minha preocupação maior não foi com Marcello nem com o todo, com a sociedade de forma geral, com o problema global, mas, de forma bem particular, metonímica (para soar mais filosófico e menos egoísta), de como eu precisava agir na continuidade do meu papel de educador do meu único filho.
Primeiro, é imperativo lembrar que, como 99,9% dos seres humanos, aos 17 anos me achava o dono do mundo e da verdade e não me preocupava muito com a orientação de quem quer que fosse. E Basílio, embora tenha o insuportável bom humor e simpatia maternos, puxou essa característica do pai. E a questão de educá-lo me pegou mais neste ano, de meses para cá, desde que o Basílio mudou para Americana. A verdade é que, ainda que nunca me furtei ao papel de pai, sabia que, na dividida, prevaleceria a opinião da mãe. E a mãe é uma baita educadora, de formação (psicóloga e pedagoga) e execução, presente e amorosa, apesar da palhaçada de tirar a casquinha do pão de forma do “Basinha da mamãe”.
Com o Basa longe da casa da mãe e da minha e, mais, morando em um alojamento 100% masculino, transpirando futebol, queria que ele tivesse mais contato com a visão feminina da vida. Repito: pela proximidade com a mãe e a adoração que ele tem pela madrinha e pelas primas, com quem sempre viveu e conviveu, além da melhora e evolução geracional em relação ao universo que eu fui criado, essa era uma preocupação menor.
Com alguma frequência, Basa me conta de suas aventuras amorosas, pergunta quando está por São Paulo se o meu apartamento está livre para levar alguma mina e tal, conversamos abertamente sobre isso. Seria o mesmo se eu tivesse uma filha de 17 anos? Não tive filha e nunca terei certeza… Tento me enganar e dizer que sim, que trataria igual, mas é fácil, uma teta mesmo gargantear algo que nunca serei colocado à prova. E é bem mais fácil ser descontruído com a filha, com a mãe, com a mina, com a irmã dos outros.
Tenho pensado muito sobre o tema. Lembro como eu e minha irmã, praticamente da mesma idade (sou de janeiro de 1977, ela, de abril de 1978), fomos criados, na mesma casa, no mesmos colégio, na mesma cidade cidade e na mesma classe social, como se eu vivesse eternamente no Carnaval da Bahia, e ela vivesse no Afeganistão governado pelo Talibã.
A Marília Ruiz (e ela está certa em adotar e assinar o sobrenome materno), feminista e hoje mãe de minha sobrinha e de dois sobrinhos, a quem transmitiu o Ruiz, tem todos os motivos do mundo para ter traumas e mágoas de como foi criada. Eu, Vitor (Ruiz) Guedes tento passar pano para mim mesmo, lembrando, com razão, que nunca a proibi de nada ou fiz o papel de X-9 de irmã, vigiando ou dedurando.
Mas a verdade é que, vendo a diferença de tratamento recebidos entre eu, o menino mais velho, e ela, a menina mais nova, nunca fiz nada para que ela gozasse da mesma liberdade. Até achava errado e tal, mas, se nunca botava pilha para justificar as proibições machistas, ficava confortavelmente quieto na minha vida privilegiada de menino.
O que tento fazer agora, de forma dolorida e dolosa, porque mexe com lembranças e vai de encontro aos valores que o menino Alemão (como era chamado à época) recebeu e reproduziu, é ler mais mulheres, ouvir mais mulheres, respeitar (que vem antes de entender) mulheres. Aprendi muito, recentemente, com Tudo É Rio, de Carla Madeira , sou apaixonado por Eliane Brum, o atleta brasileiro que mais admiro, independentemente do gênero, é Carol Solberg (não jogo nem entendo de vôlei de praia).
Aquela admiração por Isadora Ribeiro e Maitê Proença , responsáveis por eu me descobrir canhoto, permanece. Mas educo, do meu jeito, meio tosco, meio rústico, meio primitivo, o Basílio para admirar, desde a adolescência, virtudes femininas que independem do corpo, toque que minha geração não recebeu na nossa educação. Sempre vi com muita felicidade o fato que, desde os primeiros anos do colégio, as duas melhores amigas do meu filho eram as gêmeas Beatriz e Nicole. E, sem nunca ter externado isso publicamente, demorei para entender, porque minha geração é muito mais machista, preconceituosa e cabeçuda que a do meu filho, que entre Basa, Bia e Nic a relação sempre foi “só” 100% de amizade. Amizade mesmo, sentimento vivenciado entre seres humanos. Na minha geração à Damaris, meninos de azul, meninas de rosa, amizade, via de regra, era de menino com menino, de menina com menina. Para menino, menina era algo que existia para pegar na balada. E, quando isso acontecia, papai e mamãe ficavam felizes. Não gostou? Problema dos pais da menina… Isso não foi na Idade Média.
Na Sala dos Espelhos
Nesse contexto, preocupado com a educação do Basa e em ouvir mais mulheres, interessei-me pelo tema “Na Sala dos Espelhos”, peça baseada nos quadrinhos a autora sueca Liv Strömquist. Ignorância minha, não conhecia Carolina Manica: que atriz espetacular!

E, aproveitando a distribuição gratuita de ingressos, assisti, na última segunda (21), ao monólogo fantástico no teatro da biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo. Inspirado em autora sueca? Sei lá, fã incondicional Ingmar Bergman, compatriota de Liv Strömquist, me animei a ver… Se for uma merda, pensei, pelo menos é de graça, não perco a viagem e como o tradicional pernil do Estadão, ali do lado.
Resumo do resumo do resumo: a protagonista (se é que cabe a definição em um monólogo) vive uma mulher na menopausa, mãe de uma menina adolescente, e reflete sobre a pressão social sobre a estética feminina. Em crise com o (lindo) corpo, a mãe tenta criar uma filha feminista em um mundo (ainda) caótico padronizado de uma forma cruel em que a mulher segue sendo avaliada e validada de acordo com o seu corpo.
Não vi o tempo passar, mas acredito que, na cerca de 1h sobre o palco, Carolina dá um show de performance impactante. Fui atrás da reflexão, de ouvir e do aprendizado e, à vera, ganhei de bônus entretenimento de altíssima qualidade. Repetir o termo espetacular, supracitado, não é exagero.
O entretenimento é bônus, repito: o principal, subsídios para a reflexão que fui buscar, recebi com sobras. É um tapa na cara. A peça não acaba no aplauso (justo) final, nem acaba mesmo no debate posterior, que também acrescenta. O texto não sai mais da cabeça, uma reflexão individual que permanece no subconsciente e, certamente, vai emergir quando a vida de pai, de homem, de irmão, de tio, de empregado ou de patrão nos colocar diante de um corpo feminino, ops, de uma mulher. Ou seja, a peça vive e viverá todos os dias.
Carolina Manica, que além de atuar, também é idealizadora e produtora, está estupenda, mas não é a única mulher a brilhar no monólogo. A adaptação do texto e a direção, brilhantes, são de Michelle Ferreira e Maíra De Grandi. Nunca as vi mais feias, nem mais bonitas, nem as conheço, mas já sou fã de ambas. A ótima trilha sonora (não sou crítico e só passo meu olhar de leigo, sem a pretensão de avaliar arte), assinada por Ava Rocha e Grisa, faz quase o papel de coprotagonista, já que os sons dialogam, virgulam, exclamam, interrogam e pontuam a interpretação de Carolina.
E os machos? Cumprem com competência o papel coadjuvante: parabéns a Fábio Namatame (figurino e cenário), Caetano Vilela (iluminação) e Gabriel Sobreiro (operador de luz). Quem não viu, corra. Ainda há duas sessões programas, nos dias 28 de setembro (segunda) e 1º de outubro (quinta).
Meu amor pelo Basílio é parecido como o da atriz vivida por Carolina Manica pela sua filha Nina, mas as preocupações de um pai de menino são muito diferentes de uma mãe de menina. Dentro da leitura que a minha experiência de vida permite, com todas as minhas limitações intelectuais, “Na Sala dos Espelhos” me fez ver que ainda estamos muito distante de uma sociedade em que pai e mãe sofram as mesmas pressões e, mais claro ainda, como nossos pais, ainda somos os mesmo e vivemos com filhos e filhas sendo cobrados por réguas bem diferentes.
Amo ser pai. Amo tanto que o meu filho já existia na minha cabeça, inclusive batizado com o nome Basílio e previamente apelidado de Basa, muito antes de conhecer a mãe dele e 40 anos antes de ele encarnar em 10 de dezembro de 2008.
Ainda que também seja Mangueira como o pai e saiba cantar comigo clássicos de Beth Carvalho e Clara Nunes, já joguei a toalha e admito que fracassei, parcialmente, na missão de passar o amor pelo samba raiz. Exceção feita ao que ouve com o pai, Basa tem um gosto musical, diria para ser simpático, patético. Culpa dos primos (menção honrosa para a caipira Thayna) e dos amigos pornô-funkeiros. Azar dos vizinhos e da mãe que compartilha a senha do Spotify: essa falha tiro de letra!
Letra? Deixa para lá… Eh, vida à toa. Vai, no no tempo vai. Ah, João Nogueira, o meu medo maior é que, na sala dos espelhos, o espelho se quebrar… E que eu sirva de modelo de como o meu Basa não vai querer educar os meus futuros neto(a)s.
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