
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES) negou aporte financeiro aos clubes de futebol com a iminente proibição das casas de apostas no país. De acordo com uma nota divulgada, nesta sexta-feira (25), pela instituição, o BNDES não participou de qualquer discussão ou debate externo ou interno sobre a possibilidade de financiar as equipes de futebol.
O Banco também informou que possui “vedação estatutária para realizar financiamento para clubes”e que, portanto, não procede a informação de que o BNDES irá operar um linha subsidiada para esse público. A inicitavia de negociar linhas de crédito com juros facilitados foi revelada, ontem, em uma reportagem do Ge. O Corinthians e o Internacional teriam liderado as negociações com o Governo Federal.
A Medida Provisória, que deverá ser assinada hoje pelo presidente Lula (PT), proíbe a operação e publicidade das bets em território nacional. A decisão impacta diretamente no faturamento dos clubes de futebol, que são patrocinados pelas casas de apostas.

Diante da intenção do presidente Lula, os clubes chegaram a divulgar um comunicado em conjunto, na semana passada, alegando o “fim do futebol brasileiro”. Com o avanço da iniciativa, as equipes foram notificadas pelos patrocinadores sobre a possibilidade de rompimento de contrato caso a medida seja aprovada.
Reféns das bets
Com a entrada das bets no mercado, os clubes passaram a receber valores superfaturados em patrocínio e comprometeram grande parte da receita em marketing com anúncios de casas de apostas. Dados da Sports Value mostram que os maiores clubes do futebol brasileiro movimentaram em 2025 um total de R$ 3,2 bi em receitas de marketing. Deste volume, cerca de R$ 1,1 bi vieram de casas de apostas, 34% do total. O faturamento total dos clubes passou dos R$ 15 bi em 2025 e as casas de apostas representam em média 8% das receitas geradas.

A dupla São Paulo e Corinthians deve ser a mais atingida financeiramente pela Medida Provisória. Entre os clubes brasileiros patrocinados pelas casas de apostas, os rivais paulistas são os que se encontram em situação financeira mais dramática.
Além de perderem parte considerável da receita de forma imediata, os times devem sofrem na captação de novos mercados para substituir as bets. De acordo com Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão esportiva e sócio-fundador da Sports Value, as instituições podem ser vítimas, num curto prazo, da falta de credibilidade das próprias gestões.
“Eu diria que aqueles que têm grandes contratos, como Flamengo, Corinthians e São Paulo, obviamente, mas entre esses, sem sombra de dúvidas, o Corinthians, que depende muito do contrato de bet (Esportes da Sorte) e está numa situação ruim. Teve essa questão da Fatal Model (site de acompanhantes de luxo), que afugenta grandes marcas interessadas. Além do Corinthians, o São Paulo, que está numa situação ruim, o Santos, que depende muito também do seu contrato, Botafogo. Na minha opinião, Flamengo e Palmeiras, que estão também muito dependentes, têm a chance de atrair marcas porque estão numa gestão mais sólida. Então, eu diria que, os que têm mais contratos, ou que têm contratos maiores, e que têm má gestão, vão sofrer mais, como é o caso de Corinthians e São Paulo”, analisou.
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