
Você recebe uma mensagem dizendo que ganhou um prêmio e em seguida, outra avisa sobre uma compra suspeita no seu cartão . Em outro momento, um familiar aparece com um número novo pedindo dinheiro com urgência.
Os golpes estão cada vez mais elaborados, os criminosos têm usado situações do dia a dia para chamar a atenção das vítimas. A ideia deles é criar uma situação que desperte medo, curiosidade, ansiedade ou até empolgação e fazer com que a pessoa tome uma decisão rápida.
Segundo o relatório O Estado dos Golpes no Brasil 2026, o País registrou 34,5 bilhões de tentativas de fraudes digitais nos últimos 12 meses. Os dados foram divulgados em agosto pela Global Anti-Scam Allianc e (Gasa), durante o Brazil Anti-Scam Forum, em São Paulo.
Na média, cada brasileiro recebeu 201,6 abordagens golpistas ao longo de um ano. Quase 17 milhões tiveram prejuízo
O levantamento aponta que 81% dos adultos tiveram contato com algum tipo de fraude em 2026. E cerca de 39% chegaram a interagir com os criminosos.
Já 10% tiveram algum prejuízo financeiro. O percentual representa cerca de 16,5 milhões de pessoas. As perdas chegaram a R$ 21,2 bilhões, com um prejuízo médio de R$ 1.287 por vítima.
A pesquisa avaliou a frequência das tentativas de fraude, os prejuízos financeiros e os impactos emocionais causados pelas abordagens. Também foram analisados os tipos de golpes mais comuns e a percepção dos consumidores sobre segurança digital.
Onde os golpes aparecem?
A internet continua sendo um dos principais caminhos utilizados pelos criminosos. As fraudes relacionadas a compras online a parecem em primeiro lugar, com 22% dos entrevistados afirmando que já foram alvo desse tipo de abordagem.
Depois, aparecem as promessas de dinheiro inesperado, com 17%. Aqui entram falsas restituições, prêmios, heranças e supostos investimentos. Falsas ofertas de emprego também representam 17% dos casos.
Apesar de diferentes, os golpes mexem com as emoções da vítima.
Uma mensagem que causa preocupação pode fazer alguém agir sem pensar. Uma oferta muito vantajosa pode despertar a vontade de aproveitar antes que ela acabe. Já um pedido urgente de dinheiro pode fazer com que a pessoa esqueça de confirmar se a história é realmente verdadeira.
O telefone ainda é o principal caminho
Mesmo com o crescimento das redes sociais e dos aplicativos de mensagens, o telefone continua sendo o principal canal usado para iniciar o contato com as vítimas.

Segundo a Gasa, 53% dos entrevistados relataram abordagens por telefone. Em seguida aparece os aplicativos de mensagens instantâneas, com 49%, e o e-mail, com 39%.
Entre as plataformas mais citadas estão:
- WhatsApp: 64%
- Gmail: 32%
- Instagram: 22%
Ou seja, aquela mensagem que chega enquanto você está trabalhando, estudando ou passando o tempo no celular pode ser uma tentativa de golpe.
E quando o dinheiro já foi enviado?
Mesmo diante da quantidade de tentativas, somente 4% das vítimas afirmaram ter denunciado os golpes para as autoridades.
Entre as pessoas que comunicaram perdas, 20% informam ter recebido o dinheiro de volta pela organização pela qual fizeram a denúncia.
Por isso, além de ficar atento antes de realizar uma transferência, também é importante procurar ajuda caso o golpe aconteça.
PIX é o vilão?

Pix
Não, a agilidade do PIX trouxe praticidade para pagamentos e transferências, mas essa mesma velocidade passou a ser explorada por criminosos.
O sistema não é responsável pelos fraudes. O problema está no uso feito pelos golpistas, que podem pressionar a vítima para que uma transferência seja realizada de maneir imediata.
Por isso, antes de confirmar um pagamento, vale aquela pausa para confirmar a situação.
Se houver dúvida, não faça a transferência antes de confirmar.
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O marco regulatório da cibersegurança no Brasil, que avança por meio do Projeto de Lei 4.752/2025, também é acompanhado.
Golpes mais comuns
Falsa central de atendimento: O telefone toca e, do outro lado, alguém afirma ser funcionário do banco. A pessoa diz que existe uma compra suspeita no cartão ou que a conta foi invadida.
Depois de ganhar a confiança da vítima, o criminoso pode pedir informações pessoais, orientar o download de aplicativos ou enviar links.
Golpe do WhatsApp: Um número desconhecido manda mensagem dizendo ser um familiar ou amigo que trocou de telefone.
O pedido costuma vir acompanhado de uma história urgente: “preciso pagar uma conta”, “meu cartão não está funcionando” ou alguma outra situação que exige dinheiro naquele momento.
Links falsos: Promoções, milhas, pontos e avisos sobre contas podem chegar por SMS ou e-mail.
O problema aparece quando a vítima clica. O link pode levar para uma página falsa criada para roubar informações pessoais ou bancárias.
Falsa venda online: O produto está barato, a promoção parece imperdível e o anúncio tem até fotos.
Mas o site ou perfil pode ser falso. Depois do pagamento, o produto simplesmente não chega.
Falso sequestro: O criminoso liga dizendo que sequestrou um familiar e exige dinheiro.
A intenção é assustar a vítima e fazer com que ela aja rapidamente, sem tempo para confirmar se o sequestro realmente aconteceu.
Como evitar cair em uma armadilha?
Não existe algo que impeça todas as tentativas de golpe. Mas alguns cuidados podem dificultar a ação dos criminosos.
Entre as recomendações para aumentar a segurança estão o uso de senhas fortes e a ativação da autenticação em dois fatores em aplicativos e redes sociais. Também é importante ter cuidado com as informações compartilhadas na internet, já que detalhes da rotina podem ser utilizados por criminosos para aplicar golpes e fraudes.
Manter os perfis em modo privado também ajuda a proteger os dados. Outra orientação é evitar anotar informações bancárias em blocos de notas ou outros meios eletrônicos.
Também vale desconfiar de ofertas muito vantajosas e evitar compartilhar dados pessoais ou bancários por telefone e mensagens.
Os golpes podem mudar, mas a estratégia de provocar uma reação rápida continua sendo usada. Por isso, se algo parecer urgente demais, vantajoso demais ou estranho demais, vale parar por alguns e conferir.
Governo Federal tem canal para denunciar fraudes digitais
O Governo Federal também possui um canal destinado ao recebimento de denúncias sobre fraudes e golpes digitais.
A plataforma recebe relatos sobre páginas falsas, campanhas de phishing, vazamentos de dados e outros incidentes cibernéticos. As informações enviadas ajudam nas ações de análise, investigação e resposta aos casos denunciados.
Para fazer uma denúncia, acesse o canal Sem Fraude, do Governo Federal.
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Source: iG Economia


