
A Climate Week NYC deste ano trouxe uma pauta mais econômica para o centro do debate climático. Os encontros em Nova York trataram de como reorganizar a economia para produzir melhor, proteger renda, atrair investimentos e criar valor em um cenário de restrições e custos relacionados ao clima.
Nesse movimento, o Brasil aparece com uma vantagem particular: tem condições de ampliar sua economia sem que as emissões cresçam na mesma proporção, além de reunir um portfólio de soluções ambientais com potencial de ser levado a outros mercados.
Esta é a opinião de Para Ricardo Assumpção, sócio-líder de Sustentabilidade e CSO LATAM da EY, que participou da conferência e conversou com esta coluna.
Segundo ele, o desafio agora é transformar essa vantagem ambiental em crescimento estruturado. A agenda climática, para o executivo, deixa de ser um tema paralelo aos negócios e passa a funcionar como base da nova economia. Isso significa olhar para recursos como água, energia e solo como elementos diretamente ligados à capacidade de produzir, investir e gerar renda.
O Brasil diante da nova economia
A posição brasileira está relacionada, entre outros fatores, a uma matriz energética mais limpa. Essa característica cria condições para que o país cresça sem aumentar suas emissões na mesma proporção, ao mesmo tempo em que abre espaço para desenvolver e exportar soluções relacionadas à economia de baixo carbono.
A questão colocada por Assumpção é justamente como fazer com que esse portfólio de soluções ambientais se converta em capacidade produtiva, investimento e novos negócios.
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O mesmo raciocínio aparece na discussão sobre os minerais críticos: a oportunidade está em transformar a riqueza mineral em capacidade produtiva e desenvolvimento tecnológico local, ampliando a competitividade brasileira.
Da gestão de riscos à criação de valor
A mudança de perspectiva também alcança as empresas. A agenda climática já produziu uma série de exigências regulatórias, obrigações de reporte e mecanismos de gestão de riscos. Cumprir essas regras, porém, demanda investimentos significativos e pode se tornar apenas um custo se as informações e os processos não forem utilizados para transformar as operações.
É nesse contexto que o mercado de carbono ganha outra dimensão. Em vez de ser visto apenas como uma obrigação, pode funcionar como instrumento de transformação econômica e criar condições diferenciadas para produtos de baixo carbono destinados à exportação.
“A agenda de implementação, tanto presente nas conferências, agora passa para uma agenda de transformação”, afirmou Assumpção.
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Source: iG Economia

