
Um dos destinos mais conhecidos do Caribe enfrenta uma das maiores quedas de turistas de sua história recente. Cuba recebeu 450.353 turistas internacionais entre janeiro e agosto de 2026, número 64,4% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatística e Informação de Cuba (ONEI).
Para se ter uma ideia do tamanho da retração, no mesmo período de 2025 Cuba havia recebido cerca de 1,26 milhão de turistas internacionais. Somente em agosto deste ano foram registrados 30.490 visitantes, mostrando que a redução do fluxo turístico para a ilha continua bastante acentuada.
O Canadá, historicamente um dos mercados mais importantes para o turismo cubano, continua liderando o número de visitantes, mas também apresentou forte retração. Entre janeiro e agosto foram 128.400 canadenses, uma queda de 75,6% na comparação anual. Na sequência aparecem os cubanos residentes no exterior, com 103.481 chegadas, e os viajantes procedentes dos Estados Unidos, com 41.971.
Os números ficam ainda mais impressionantes quando comparados aos melhores anos recentes do turismo na ilha. Em 2018, Cuba recebeu aproximadamente 4,6 milhões de turistas e, em 2019, foram cerca de 4,2 milhões. Desde a pandemia, no entanto, o país não conseguiu recuperar os antigos níveis de visitação.
A situação se agravou em 2026 em meio ao aumento das sanções e restrições dos Estados Unidos relacionadas a Cuba. Segundo informações divulgadas pela EFE, houve redução de operações aéreas e saída de importantes grupos hoteleiros internacionais que atuavam no país. O governo cubano informou em julho que sete redes internacionais deixaram suas operações na ilha e que, juntas, administravam aproximadamente 46% dos mais de 80 mil quartos disponíveis no país.
A retração preocupa principalmente porque o turismo é uma das principais fontes de entrada de moeda estrangeira em Cuba. A queda no número de viajantes afeta uma cadeia que envolve hotéis, restaurantes, transportes, passeios, comércio e trabalhadores que dependem direta ou indiretamente dos visitantes internacionais.
Diante da crise, o governo cubano anunciou novas medidas para tentar estimular o setor. Entre elas está a abertura de novas modalidades de negócios para empresas privadas, permitindo maior participação na administração de hotéis, aluguel de veículos, transporte de passageiros, serviços de guia e atividades ligadas às agências de turismo.
Os dados mostram que o desafio de Cuba vai muito além de simplesmente recuperar os números anteriores à pandemia. Em apenas um ano, a ilha perdeu praticamente dois em cada três turistas internacionais que recebia, colocando um dos setores mais importantes de sua economia diante de um cenário de profunda transformação.
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Source: Turismo


