
O número de empresas brasileiras com dívidas em atraso chegou a 9,3 milhões em agosto de 2026, o maior patamar da série histórica da Serasa Experian. Juntas, essas companhias acumulavam R$ 244,4 bilhões em débitos negativados, distribuídos em 68,2 milhões de registros. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (21).
A quantidade de negócios inadimplentes cresceu 14,3% em relação a agosto de 2025. O avanço atinge principalmente as micro e pequenas empresas, que representam cerca de 95% dos CNPJs negativados. O levantamento mostra que as dificuldades para pagar contas continuam, mesmo com a desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência.
Em média, cada empresa nessa situação acumulava 7,4 dívidas, com valor total de R$ 26.355,13 por CNPJ. Cada pendência tinha valor médio de R$ 3.583,96.
Pequenos negócios concentram R$ 211 bilhões em dívidas
As micro e pequenas empresas são as mais afetadas pelo aumento da inadimplência. Segundo a Serasa Experian, 8,8 milhões desses negócios estavam negativados em agosto, com 61,4 milhões de contas em atraso.
O valor acumulado chegou a R$ 211 bilhões, aproximadamente 86% de todas as dívidas empresariais identificadas no levantamento.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, atribui parte dessa dificuldade à menor capacidade financeira das empresas de pequeno porte, que precisam conciliar despesas operacionais, pagamentos a fornecedores e empréstimos para manter as atividades.
“O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”, afirmou.
Apesar do recorde, a velocidade de crescimento da inadimplência diminuiu. A alta anual, que havia alcançado 28,7% em período anterior da série, recuou para 14,3% em agosto. Ainda assim, o número de empresas com contas atrasadas continuou aumentando.
Serviços e comércio lideram inadimplência
O setor de serviços concentra 56% das empresas negativadas no Brasil. O comércio aparece em seguida, com 32%, enquanto a indústria responde por 8%.
Os débitos também revelam que o problema vai além dos empréstimos bancários.
Das contas negativadas, 31,7% estão relacionadas a prestadores de serviços. Bancos e cartões de crédito representam 19,7%, seguidos por cooperativas, com 8,5%, serviços básicos, com 6,7%, e telefonia, com 6,2%.
Considerando todas as categorias de credores, 75,6% dos registros de dívidas empresariais são de setores não financeiros. Isso inclui pagamentos atrasados a fornecedores e empresas prestadoras de serviços.
São Paulo tem mais de 3 milhões de empresas negativadas
O Sudeste concentra a maior quantidade de empresas inadimplentes do país.
São Paulo lidera o levantamento, com 3,17 milhões de CNPJs negativados. Minas Gerais aparece na segunda posição, com 927,4 mil, seguido pelo Rio de Janeiro, com 879,9 mil.
Fora do Sudeste, Paraná e Rio Grande do Sul registraram os maiores números, com 613 mil e 539,3 mil empresas inadimplentes, respectivamente.
Busca por crédito cresce mesmo com dívidas em alta
O levantamento também mostra que as empresas continuam recorrendo a empréstimos para financiar suas atividades.
A procura empresarial por crédito aumentou 11,2% no acumulado de 12 meses. Já as concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9% no período.
Para a Serasa Experian, esse crescimento está mais associado à necessidade de manter as operações do que a investimentos para expandir os negócios.
Com juros ainda elevados, parte das empresas enfrenta dificuldades para pagar compromissos antigos enquanto busca novos recursos para cobrir despesas correntes.
Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência das Empresas, da Serasa Experian, que acompanha mensalmente a quantidade de CNPJs com débitos negativados no Brasil.
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Source: iG Economia


