Milan Nedeljković questiona valores cobrados por rivais na Europa, mas rejeita novas tarifas e defende acordos comerciais com o governo chinês
Fernando Naccari/iG

Milan Nedeljković questiona valores cobrados por rivais na Europa, mas rejeita novas tarifas e defende acordos comerciais com o governo chinês

Os preços de alguns carros chineses vendidos na Europa“não fazem sentido comercialmente”, segundo Milan Nedeljković, CEO da BMW. Em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, repercutida pelo Motor1, o executivo questionou a estratégia das concorrentes e alertou que esses valores podem fortalecer a pressão por medidas de proteção à indústria europeia.

Nedeljković defende negociações entre Europa e China para estabelecer condições comerciais que considere justas, com acordos voluntários sobre preços. Para ele, elevar as tarifas representaria uma intervenção ainda maior no mercado.

Por que a BMW rejeita novas tarifas?

A posição da fabricante envolve interesses que vão além da disputa por clientes no mercado europeu, já que a BMW também utiliza a China como base industrial: os modelos elétricos da Mini produzidos no país abastecem mercados externos. Portanto, a criação de uma barreira comercial sobre automóveis chineses pode diretamente atingir produtos do próprio grupo alemão.

E o peso do mercado chinês aparece nos números divulgados pela companhia. Em 2025, BMW e Mini entregaram 625.527 veículos no país, uma queda de 12,5% sobre o ano anterior. Mesmo assim, o volume ficou acima das 417.638 unidades comercializadas pelas duas marcas nos Estados Unidos.

O desempenho regional também mostra situações diferentes para o grupo. Enquanto as vendas recuaram na China, BMW e Mini cresceram 7,3% na Europa, onde somaram pouco mais de 1 milhão de veículos em 2025. Nos Estados Unidos, a alta foi de 5%. 

Europa já cobra taxas adicionais

A discussão ocorre em um mercado que já adotou barreiras aos elétricos fabricados na China. Em outubro de 2024, a Comissão Europeia concluiu uma investigação sobre subsídios e estabeleceu tarifas compensatórias adicionais, com percentuais diferentes conforme o fabricante.

Na decisão, as alíquotas foram fixadas em 17% para a BYD, 18,8% para a Geely e 35,3% para a SAIC. A justificativa apresentada pela Comissão foi a existência de subsídios que ameaçavam causar prejuízo econômico aos produtores europeus de veículos elétricos.

Essas medidas têm como foco os veículos elétricos a bateria produzidos na China, apenas. 

Acordos podem incluir preço mínimo

A alternativa defendida pelo executivo encontra espaço nas negociações comerciais. Em janeiro de 2026, a Comissão Europeia publicou orientações para fabricantes interessadas em apresentar compromissos de preços para seus elétricos exportados da China.

O documento prevê a análise de fatores como preço mínimo de importação, canais de venda e futuros investimentos na União Europeia. Cada proposta precisa ser avaliada individualmente, segundo critérios comuns e as regras da Organização Mundial do Comércio. O mecanismo abre caminho para soluções negociadas que enfrentem os efeitos dos subsídios identificados pela investigação europeia.


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