
Os preços de alguns carros chineses vendidos na Europa“não fazem sentido comercialmente”, segundo Milan Nedeljković, CEO da BMW. Em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, repercutida pelo Motor1, o executivo questionou a estratégia das concorrentes e alertou que esses valores podem fortalecer a pressão por medidas de proteção à indústria europeia.
Nedeljković defende negociações entre Europa e China para estabelecer condições comerciais que considere justas, com acordos voluntários sobre preços. Para ele, elevar as tarifas representaria uma intervenção ainda maior no mercado.
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Por que a BMW rejeita novas tarifas?
A posição da fabricante envolve interesses que vão além da disputa por clientes no mercado europeu, já que a BMW também utiliza a China como base industrial: os modelos elétricos da Mini produzidos no país abastecem mercados externos. Portanto, a criação de uma barreira comercial sobre automóveis chineses pode diretamente atingir produtos do próprio grupo alemão.
E o peso do mercado chinês aparece nos números divulgados pela companhia. Em 2025, BMW e Mini entregaram 625.527 veículos no país, uma queda de 12,5% sobre o ano anterior. Mesmo assim, o volume ficou acima das 417.638 unidades comercializadas pelas duas marcas nos Estados Unidos.
O desempenho regional também mostra situações diferentes para o grupo. Enquanto as vendas recuaram na China, BMW e Mini cresceram 7,3% na Europa, onde somaram pouco mais de 1 milhão de veículos em 2025. Nos Estados Unidos, a alta foi de 5%.
Europa já cobra taxas adicionais
A discussão ocorre em um mercado que já adotou barreiras aos elétricos fabricados na China. Em outubro de 2024, a Comissão Europeia concluiu uma investigação sobre subsídios e estabeleceu tarifas compensatórias adicionais, com percentuais diferentes conforme o fabricante.
Na decisão, as alíquotas foram fixadas em 17% para a BYD, 18,8% para a Geely e 35,3% para a SAIC. A justificativa apresentada pela Comissão foi a existência de subsídios que ameaçavam causar prejuízo econômico aos produtores europeus de veículos elétricos.
Essas medidas têm como foco os veículos elétricos a bateria produzidos na China, apenas.
Acordos podem incluir preço mínimo
A alternativa defendida pelo executivo encontra espaço nas negociações comerciais. Em janeiro de 2026, a Comissão Europeia publicou orientações para fabricantes interessadas em apresentar compromissos de preços para seus elétricos exportados da China.
O documento prevê a análise de fatores como preço mínimo de importação, canais de venda e futuros investimentos na União Europeia. Cada proposta precisa ser avaliada individualmente, segundo critérios comuns e as regras da Organização Mundial do Comércio. O mecanismo abre caminho para soluções negociadas que enfrentem os efeitos dos subsídios identificados pela investigação europeia.
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