
A fim de entender o endividamento do futebol brasileiro, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) lançou uma plataforma digital com dados consolidados sobre os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. Em resumo, o levantamento oficial apontou que as 40 equipes das duas principais divisões nacionais acumularam um passivo conjunto de R$ 19,99 bilhões ao término do exercício financeiro.
Além disso, o órgão regulador atualizou a metodologia de cálculo para desconsiderar adiantamentos de receitas e focar exclusivamente nas obrigações financeiras reais de desembolso futuro. Com isso, os clubes da elite brasileira concentram a maior fatia do montante devedor com R$ 17,34 bilhões, enquanto os participantes da segunda divisão somam pendências de R$ 2,65 bilhões.
O ranking dos maiores passivos é liderado pelo Atlético-MG, pois registrou obrigações na ordem de R$ 2,66 bilhões nos balanços auditados. Logo em seguida no levantamento aparecem Corinthians, com passivo apurado em R$ 2,08 bilhões, e Botafogo, que computou débitos consolidados de R$ 1,78 bilhão.
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Afinal, existem clubes com pagamentos sem atrasos?
De fato, o monitoramento bimestral da entidade identificou que somente 15 das 40 agremiações atestaram ausência de débitos vencidos em folhas salariais, impostos ou transferências até o fechamento de junho. Aliás, na Série A, apenas Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino comprovaram situação de adimplência irrestrita perante a fiscalização.
Contudo, a autoridade regulatória impôs prazos rígidos de 45 dias para que equipes em atraso sanem débitos contraídos ao longo da atual temporada. Por essa razão, clubes tradicionais do futebol brasileiro como Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam notificações formais sob ameaça iminente de sofrerem bloqueios de registro de reforços.
A saber, a normativa do Fair Play Financeiro nacional prevê sanções disciplinares mais duras a partir de novembro para passivos acumulados em anos anteriores. Sem dúvida, a movimentação dos bastidores gerou forte articulação dos dirigentes esportivos para tentar adiar o início dessa exigência punitiva para o ciclo entre 2027 e 2028.

Ranking dos 40 clubes das Séries A e B conforme levantamento da Anresf
Por outro lado, agremiações com receitas mais modestas demonstraram gestão fiscal equilibrada e encerraram o ciclo contábil com dívidas residuais no mercado. O Mirassol apresentou o menor endividamento entre os times da divisão de elite com R$ 7,4 milhões, enquanto o CRB registrou pendências totais de R$ 900 mil na Série B.
Assim, o mecanismo de transparência financeira estabelece um novo divisor de águas na governança das agremiações esportivas do país. Dessa maneira, a regularização dos fluxos de caixa tornou-se requisito inegociável para garantir a competitividade dentro de campo sem colocar em risco a viabilidade institucional.
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