O Aeroporto de Goiânia registrou o transporte aéreo de 123 órgãos e tecidos entre janeiro e agosto de 2026.
Divulgação Asur Brasil

O Aeroporto de Goiânia registrou o transporte aéreo de 123 órgãos e tecidos entre janeiro e agosto de 2026.

A aviação brasileira desempenha um papel decisivo no funcionamento do sistema nacional de transplantes. Com 49.547 pessoas na fila de espera por um órgão no país, segundo o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a rappdez no deslocamento de equipes médicas e no transporte de órgãos é fundamental para aumentar as chances de sucesso dos procedimentos.

Do total de pacientes que aguardam por um transplante, 28.924 são homens e 20.623 são mulheres. O rim concentra a maior demanda, seguido por fígado, coração, pâncreas e pulmão.

Quando um potencial doador é identificado, inicia-se uma corrida contra o tempo. Os órgãos possuem um período limitado de preservação fora do corpo humano, conhecido como isquemia fria. Nesse cenário, a aviação se torna uma ferramenta estratégica para conectar hospitais, centrais de transplantes e equipes médicas em diferentes regiões do país.

Central Nacional de Transplantes

A dimensão dessa operação pode ser observada nos números da Central Nacional de Transplantes. Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizados 3.559 transportes aéreos de órgãos para transplante no Brasil. O total inclui operações feitas por companhias aéreas nacionais e internacionais, aeronaves da aviação geral e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Para garantir maior eficiência ao processo, a Lei 14.858/2024 determina prioridade para pousos e decolagens de aeronaves que transportam órgãos e equipes médicas. A medida se aplica a operadores privados, órgãos públicos e instituições militares envolvidas no transporte de pessoas e cargas por vias aérea, terrestre ou aquática.

O Paraná, líder nacional em doação e transplantes, é um exemplo da importância dessa estrutura logística. Os aeroportos Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e Bacacheri, em Curitiba, ambos administrados pela Asur Brasil, participam da rede de apoio aos sistemas estadual e nacional de transplantes em parceria com a Casa Militar do Estado.

Aeroporto do Bacacheri tem papel estratégico

O Aeroporto do Bacacheri tem papel estratégico nessa operação. Especializado em aviação geral e sem voos comerciais regulares, o terminal abriga a Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar e mantém protocolos que permitem a reabertura durante a madrugada para missões de transporte de órgãos. Até setembro de 2026, o aeroporto registrou 94 pousos relacionados a esse tipo de operação, crescimento de 81% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em Londrina, até 11 de setembro de 2026, foram contabilizados oito pousos de aeronaves transportando órgãos, segundo dados da Casa Militar do Paraná. Em todo o ano de 2025, o aeroporto registrou 15 operações desse tipo. Somados, os aeroportos Afonso Pena, Bacacheri e Londrina viabilizaram 109 operações aeromédicas em 2026, número que se aproxima das 141 registradas ao longo de todo o ano passado.

Números do Maranhão

Outros estados também apresentam números expressivos. No Maranhão, foram realizadas 39 operações de transporte aéreo de órgãos e tecidos entre janeiro e setembro de 2026. As missões envolveram fígados, rins e corações, com origem ou destino no Aeroporto de São Luís.

Em Goiás, o Aeroporto de Goiânia registrou o transporte aéreo de 123 órgãos e tecidos entre janeiro e agosto de 2026. Em 2025, o total foi de 144 operações, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

Apesar da estrutura logística altamente especializada, especialistas destacam que todo o sistema depende da decisão de doar. A conscientização da população e o diálogo com familiares sobre o desejo de ser doador continuam sendo fatores essenciais para ampliar o número de transplantes realizados no Brasil.

“A logística para o transporte de órgãos é uma corrida contra o tempo onde não há margem para erros. Cada minuto economizado em solo, no embarque ou na priorização do voo representa a preservação de uma vida. Trabalhamos para que as operações em nossos aeroportos contribuam para que a esperança chegue ao seu destino com máxima agilidade e segurança”, afirma Marcius Moreno, diretor de Operações da Asur Brasil.



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