Caso Dark Horse: PF pede a André Mendonça prorrogação do inquérito por 90 dias

A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, que trata da história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias.

A cinebiografia tornou-se alvo de investigação no STF sobre o financiamento do filme pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, no caso.

O inquérito, aberto em julho a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção.

Flávio Bolsonaro aparece formalmente como investigado.

Em outra frente, relatada pelo ministro Flávio Dino, a PF investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias (PL) a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. (Veja mais detalhes)

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Conversas de Flávio com Vorcaro

Uma empresa ligada a Vorcaro teria enviado recursos aos Estados Unidos. A PF passou a buscar o rastreamento dos valores e a apurar se o dinheiro foi efetivamente aplicado na produção cinematográfica.

A dona da Go Up, Karina Ferreira da Gama, afirmou em maio à GloboNews e à TV Globo que Vorcaro foi responsável por mais de 90% dos recursos que viabilizaram a produção.

💵 Segundo ela, o orçamento realizado até então estava em cerca de US$ 13 milhões, equivalentes a R$ 65,7 milhões à época. Flávio Bolsonaro havia admitido que Vorcaro colocou pouco mais de US$ 12 milhões no projeto.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

PF investiga destino do dinheiro

  • os repasses feitos por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro;
  • a possibilidade de parte dos recursos ter sido usada para custear Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e
  • a destinação de emendas parlamentares a entidades relacionadas à produtora do longa.

Eduardo Bolsonaro negou ter recebido recursos de fundo ligado a Vorcaro. Disse que seu status migratório nos Estados Unidos não permitiria esse tipo de repasse e afirmou ter informado às autoridades americanas a origem de seus recursos.

Na mesma época, veio a público um contrato em que Eduardo Bolsonaro aparecia como produtor-executivo de “Dark Horse”.

Outra investigação apura emendas ligadas à produtora

Outra investigação sob responsabilidade do ministro Flávio Dino analisa o envio de recursos públicos a organizações ligadas à proprietária da produtora de “Dark Horse”.

Essa frente começou após a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pedir ao STF a apuração do caso. O foco são R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias para entidades relacionadas a Karina Ferreira da Gama.

Entre as entidades estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), presididos por Karina Ferreira da Gama. A Go Up Entertainment não foi alvo dos mandados de busca.

Mario Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, afirmou ao STF em maio que as emendas destinadas às organizações não foram enviadas para financiar a produção cinematográfica.

Operação da PF

Em 10 de setembro, PF e Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a operação Make Up. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará, autorizados por Flávio Dino.

Mario Frias e Karina Ferreira da Gama estavam entre os alvos. São investigados possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Um relatório da PF apontou ainda coincidência temporal entre movimentações financeiras da Go Up e o repasse das emendas destinadas por Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil.

Os investigadores levantaram a suspeita de que recursos públicos possam ter custeado despesas como hospedagem, refeições e pagamentos a outras produtoras durante o período de produção do filme.

Defesa tentou levar investigação de Dino para Mendonça

Os advogados sustentaram que, como Mendonça já estava à frente de outras apurações relacionadas ao filme, deveria ficar também com a investigação sobre emendas parlamentares.


Source: g1 > Política