
Quem estiver caminhando por Paris nesta sexta-feira poderá encontrar uma imagem pouco comum em uma das cidades mais visitadas do mundo: vitrines cobertas por placas de madeira, portas protegidas, estabelecimentos antecipando fechamentos e reforço de seguranças particulares. A capital francesa está se preparando para uma nova jornada de manifestações neste sábado, 24 de outubro, uma semana depois dos protestos do dia 17 terminarem com episódios de violência, depredações e saques.
A preocupação dos comerciantes não acontece por acaso. A própria Prefeitura de Polícia de Paris recomendou aos estabelecimentos localizados nas regiões potencialmente afetadas que reforcem a segurança, protejam vitrines, verifiquem alarmes e considerem até antecipar o horário de fechamento ou permanecer fechados durante a manifestação e nas horas seguintes. Segundo as autoridades, dezenas de estabelecimentos foram depredados ou saqueados durante os episódios do último fim de semana.
Mas é importante fazer uma diferenciação: as autoridades francesas afirmam que parte das depredações foi provocada por indivíduos que se aproveitaram das manifestações para cometer atos de violência e saques, inclusive fora dos percursos oficiais. Ou seja, manifestação e vandalismo não devem ser tratados automaticamente como a mesma coisa.
O QUE VAI ACONTECER EM PARIS NO DIA 24?
Existiam duas propostas de percurso para este sábado. Uma delas, associada ao movimento estudantil Interfac e a integrantes dos Coletes Amarelos, pretendia sair da Bastille, passar pela République e seguir pelos Grands Boulevards até a região da Opéra. Esse percurso foi proibido pela Prefeitura de Polícia.
O trajeto oficialmente autorizado será Place de la Bastille → Place de la Nation, uma manifestação organizada por diferentes movimentos, entre eles a CGT. A concentração está prevista para a região da Bastille durante a tarde, e outros grupos que estão se mobilizando contra o governo também devem participar.
Os protestos fazem parte de uma onda de mobilizações que ganhou força na França nas últimas semanas. Entre os participantes estão sindicatos, estudantes, trabalhadores de diferentes categorias e integrantes dos Coletes Amarelos. As reivindicações não são necessariamente idênticas entre todos os grupos: existem pautas trabalhistas, sociais, estudantis e críticas ao governo de Emmanuel Macron. Entre os Coletes Amarelos, por exemplo, circulam convocatórias diretamente contra Macron.
Apesar de o percurso autorizado ser relativamente concentrado entre Bastille e Nation, existe preocupação com manifestações espontâneas e deslocamentos de grupos para outras regiões da cidade. É justamente por isso que as medidas de segurança adotadas neste sábado ultrapassam bastante o trajeto oficial.
PARIS RETIRA OBJETOS DAS RUAS
A própria Prefeitura de Paris começou a preparar a cidade com antecedência. Barreiras, materiais móveis de obras e outros objetos que eventualmente poderiam ser utilizados durante confrontos estão sendo retirados das ruas.
Lixeiras estão sendo esvaziadas, contêineres de vidro retirados e objetos volumosos recolhidos. Moradores e comerciantes também receberam a recomendação de recolher bicicletas, lixeiras, mesas, cadeiras e mobiliário externo a partir do meio-dia de sábado.
Uma célula de crise da Prefeitura será ativada às 12h para acompanhar a situação em tempo real, em contato com a Prefeitura de Polícia. Mais de mil funcionários da limpeza também estarão mobilizados durante o fim de semana.
É justamente dentro desse cenário de prevenção que aparecem as imagens que estamos vendo nas ruas: comerciantes cobrindo vitrines com tapumes e reforçando as fachadas antes da manifestação.
METRÔ TERÁ FORTE IMPACTO, INCLUSIVE LONGE DE BASTILLE
Para o turista, este é provavelmente o ponto mais importante. A RATP já confirmou que, por determinação da Prefeitura de Polícia, diversas estações serão fechadas a partir das 9h deste sábado, e os trens passarão por algumas delas sem parar. A reabertura dependerá de autorização das autoridades.
Entre as estações afetadas estão alguns dos pontos mais turísticos de Paris: Charles de Gaulle–Étoile, George V, Franklin D. Roosevelt, Champs-Élysées–Clemenceau, Concorde, Tuileries, Saint-Germain-des-Prés, Odéon, Saint-Sulpice, Cluny–La Sorbonne, Sèvres–Babylone, Assemblée Nationale, Solférino, Rue du Bac e Varenne, além de estações próximas de Nation e do leste da cidade.
Também haverá interrupções em trechos inteiros da rede. Isso significa que mesmo o turista que não estiver próximo da manifestação poderá encontrar dificuldades para circular por Paris.
LOUVRE, ORSAY E OUTRAS ATRAÇÕES FECHAM
O impacto também chegou diretamente às atrações turísticas. O Museu do Louvre, o Musée d’Orsay, o Musée Picasso e o Grand Palais decidiram permanecer fechados excepcionalmente neste sábado por questões de segurança. A Art Basel Paris, que acontecia no Grand Palais, também teve sua programação afetada.
Portanto, quem tiver ingresso comprado para alguma atração neste sábado precisa verificar diretamente os canais oficiais do local para saber como funcionará a remarcação ou o reembolso.
O QUE EU RECOMENDO PARA QUEM ESTÁ EM PARIS?
Primeiro: eu não cancelaria uma viagem para Paris por causa da manifestação. Paris é enorme e manifestações fazem parte da rotina de grandes capitais europeias. O que eu faria é simplesmente adaptar o roteiro. Se você já estiver em Paris neste sábado, minha principal recomendação é: não tente chegar perto da manifestação para ver o que está acontecendo. Mesmo que o ato esteja pacífico, a situação pode mudar rapidamente e a polícia pode fechar ruas e estações sem muito aviso.
Também evitaria montar um roteiro que dependa de atravessar várias regiões de Paris utilizando o metrô, porque as restrições começam já às 9h e atingirão diversos pontos turísticos. E, particularmente, eu aproveitaria esse sábado para fazer um passeio fora da região central de Paris ou até mesmo fora da cidade.
É um ótimo dia, por exemplo, para programar Disneyland Paris, Palácio de Versalhes ou outros passeios nos arredores, desde que você confira antes como estará funcionando o transporte necessário para chegar ao destino. Para quem estiver de carro ou tiver contratado motorista, também existem possibilidades de bate-volta para cidades e atrações fora da capital.
Outra possibilidade é simplesmente reorganizar o roteiro: deixar Louvre, Orsay, Champs-Élysées e outras regiões centrais para outro dia e aproveitar o sábado em uma região distante das concentrações.
Mas atenção: como várias estações estarão fechadas desde a manhã, não basta apenas escolher um lugar distante da manifestação. É fundamental conferir no aplicativo da RATP ou da Île-de-France Mobilités qual será a melhor maneira de sair do hotel e chegar ao passeio escolhido.
NÃO ENTRE EM PÂNICO E NÃO CANCELE SUA VIAGEM
As imagens das lojas cobertas por madeira realmente impressionam, principalmente para quem está prestes a viajar. Mas isso não significa que Paris inteira estará em confronto ou que seja necessário cancelar uma viagem. Os tapumes são, neste momento, principalmente uma medida preventiva depois do que aconteceu no último fim de semana.
Minha recomendação para quem está em Paris é simples: evite Bastille, Nation e qualquer concentração de manifestantes; não se aproxime de confrontos para filmar ou fotografar; confira o transporte antes de sair; acompanhe as orientações das autoridades e deixe seu roteiro flexível.
E se você puder escolher, eu usaria justamente o sábado para conhecer alguma atração ou destino fora das áreas centrais de Paris e voltaria aos principais pontos turísticos da capital em outro dia.
Paris continuará lá no domingo. Não existe necessidade de se colocar no meio de uma manifestação para cumprir um roteiro.
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Source: Turismo


