Sob pressão do TSE e das campanhas, Meta se torna foco de disputa às vésperas da eleição

Conselho da Meta aponta falhas 'recorrentes' na moderação de conteúdo eleitoral

Conselho da Meta aponta falhas ‘recorrentes’ na moderação de conteúdo eleitoral

A quatro dias das eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou as discussões com representantes da Meta e das campanhas eleitorais para esclarecer questionamentos sobre o funcionamento dos algoritmos das redes sociais e possíveis prejuízos aos candidatos. O cenário é marcado por uma série de disputas judiciais envolvendo o uso das plataformas digitais na campanha.

Em reunião realizada na noite desta terça-feira, representantes da Meta, advogados das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e integrantes da Justiça Eleitoral discutiram os questionamentos apresentados pelos partidos. O encontro ocorreu após uma ação do PT que alegou prejuízos à campanha do presidente Lula relacionados à atuação da plataforma.

A reunião foi conduzida para esclarecer as posições da empresa e permitir que os envolvidos apresentassem dúvidas antes de uma eventual conclusão sobre o caso.

A campanha de Flávio Bolsonaro também procurou se posicionar na discussão. A equipe do candidato afirma que enfrenta prejuízos relacionados à atuação da Meta e busca evitar que apenas o PT seja considerado prejudicado.

A disputa pode ganhar novos desdobramentos jurídicos, inclusive com medidas de maior alcance que, dependendo do caso, podem resultar em sanções eleitorais.

Além da discussão envolvendo a Meta, as campanhas protagonizam uma série de iniciativas judiciais relacionadas à circulação de conteúdo político nas redes sociais e à atuação dos algoritmos.

Na noite desta terça-feira, houve uma nova petição direcionada ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, sobre questões envolvendo canais associados ao entorno da campanha de Lula, incluindo referências ao deputado André Janones.

O caso já havia passado por diferentes decisões judiciais, com intervenções do ministro e da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral.

A sucessão de decisões e recursos mostra a complexidade das disputas sobre a propaganda eleitoral na internet. Também houve uma nova iniciativa da campanha de Flávio Bolsonaro alegando uma suposta manipulação de algoritmos do Google.

RELEMBRE

O cenário levanta questionamentos sobre a capacidade da Justiça Eleitoral de responder, em tempo hábil, aos desafios impostos pelas plataformas digitais.

Embora a inteligência artificial tenha sido apontada como uma das principais preocupações do processo eleitoral, as discussões sobre os algoritmos e seus possíveis efeitos sobre o alcance das campanhas ganharam destaque na reta final.

Ainda não há uma conclusão definitiva sobre quais candidaturas teriam sido prejudicadas nem sobre a dimensão de eventuais impactos no resultado eleitoral. Mesmo assim, a discussão pode continuar depois da votação e ser utilizada pelas campanhas em novas iniciativas judiciais, inclusive por candidatos derrotados.

A relevância da Meta no processo eleitoral também está relacionada ao volume de recursos destinados à publicidade digital. A empresa controla Instagram, Facebook e WhatsApp, plataformas que ocupam posições importantes na comunicação política, embora os formatos de anúncios e as possibilidades de impulsionamento variem entre elas.

Os gastos das campanhas com a Meta cresceram significativamente nos últimos anos. Em 2018, o montante gasto com a empresa era de aproximadamente R$ 23 milhões. Na prestação de contas parcial do ciclo eleitoral de 2026, o valor já chega a cerca de R$ 290 milhões.

A pressão sobre a empresa também envolve seu Comitê de Supervisão, órgão independente criado a partir de uma iniciativa anunciada em 2018 e implementada em 2020. O colegiado reúne especialistas de diferentes áreas e conta com a participação do brasileiro Ronaldo Lemos.

Na declaração divulgada nesta terça-feira (20), o conselho afirmou que “está preocupado com as falhas recorrentes na aplicação das normas eleitorais da Meta” e afirmou que a empresa precisa fazer mais para garantir que suas práticas de fiscalização durante as eleições sejam transparentes e consistentes.


Source: g1 > Política