
“Não sei, se houvesse alguma necessidade de fechá-lo, tudo bem. Mas se é pelo luto de alguém…”. A frase foi dita por um turista americano que havia viajado a Roma e acabou surpreendido pelo fechamento do Coliseu nesta quarta-feira, 23 de setembro. Questionado por uma repórter se estava decepcionado, ele respondeu de maneira ainda mais direta: “Sim. Obrigado, ministro, por arruinar minhas férias.” A reação, registrada em uma reportagem da Reuters, resume a frustração de parte dos visitantes que chegaram a um dos monumentos mais famosos do mundo e descobriram que não poderiam entrar.
O fechamento, porém, aconteceu após uma tragédia. Andrea Moretti, de apenas 22 anos, morreu durante a madrugada depois de sofrer uma queda de aproximadamente dez metros enquanto trabalhava no interior do Coliseu. O jovem era especializado em trabalhos em altura com cordas e participava da instalação de um novo sistema de iluminação do monumento. Segundo a imprensa italiana, ele trabalhava entre o segundo e o terceiro anel do Anfiteatro Flávio quando ocorreu o acidente. Equipes de emergência tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu. As circunstâncias da queda estão sendo investigadas pelas autoridades italianas.
Inicialmente, a situação gerou certa confusão entre os próprios visitantes. O acidente aconteceu durante a noite, quando o Coliseu já estava fechado ao público, e algumas visitas chegaram a ocorrer normalmente nas primeiras horas da manhã seguinte. Posteriormente, o Ministério da Cultura e o Parque Arqueológico do Coliseu determinaram o fechamento do complexo em sinal de luto pela morte do trabalhador. A administração informou oficialmente que, no dia 23, a suspensão atingiria todos os ingressos programados a partir das 10h30 até o encerramento do horário de visitação.
Foi justamente essa mudança que pegou muitos turistas de surpresa. Em Roma, os ingressos para o Coliseu normalmente são comprados com antecedência e possuem data e horário definidos. Para quem passa apenas dois ou três dias na capital italiana, perder uma visita marcada pode significar não conseguir conhecer o monumento durante aquela viagem. É nesse contexto que apareceram as reclamações registradas nas imagens da imprensa internacional. Visitantes que tinham organizado hotéis, deslocamentos e outros passeios de acordo com aquele horário chegaram ao local e precisaram alterar completamente a programação.
A reação de alguns turistas, no entanto, também chamou atenção justamente pela gravidade do motivo que levou ao fechamento. O caso deixou de ser simplesmente uma questão de mudança na programação turística e passou a envolver a morte de um jovem durante o trabalho em um dos locais mais conhecidos da Itália. O ministro da Cultura, Alessandro Giuli, classificou o episódio como trágico e afirmou, em comunicado divulgado pelo Parque Arqueológico, que as palavras naquele momento eram dirigidas principalmente a Andrea, à família e às pessoas próximas ao trabalhador.
Andrea Moretti era originário da região de Teramo e, apesar da pouca idade, já era considerado experiente na chamada “edilizia acrobatica”, modalidade de trabalho realizada em altura com o uso de cordas. De acordo com a ANSA, ele havia seguido a profissão do pai e estava em Roma justamente para participar da instalação da nova iluminação do Coliseu, projeto que exigia profissionais capazes de trabalhar em altura sem comprometer a estrutura arqueológica do monumento. A Procuradoria de Roma abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte e verificar o cumprimento das normas de segurança no trabalho.
O fechamento, que inicialmente atingiria o dia 23, acabou sendo prorrogado para esta quinta-feira, 24 de setembro. Segundo o Parque Arqueológico do Coliseu, todos os seus sítios permanecem fechados ao público durante o dia em sinal de luto e solidariedade à família de Andrea Moretti e aos trabalhadores do complexo. A decisão foi tomada pelo Ministério da Cultura italiano e vale para todos os ingressos programados para esta quinta-feira.
Para os turistas que tinham entrada marcada, existe pelo menos uma garantia: os valores serão reembolsados automaticamente. Quem possuía ingresso para o dia 23 a partir das 10h30 e quem tinha reserva para o dia 24 não precisa solicitar individualmente a devolução do dinheiro. O próprio Parque Arqueológico informou que o procedimento será realizado de forma automática e pediu que os visitantes evitem enviar diversas solicitações sobre uma mesma reserva, já que isso pode atrasar o processamento dos reembolsos.
Também não será possível simplesmente utilizar o mesmo ingresso em outra data. A administração deixa claro que, por se tratar de uma medida extraordinária determinada pelo Ministério da Cultura, não é possível restabelecer individualmente as visitas canceladas nos dias 23 e 24 nem abrir exceções para turistas que estejam deixando Roma e não tenham outra oportunidade de retornar ao Coliseu durante a viagem.
O episódio mostra ainda como o fechamento inesperado de uma atração dessa dimensão pode afetar milhares de roteiros praticamente de uma hora para outra. O Coliseu é uma das principais atrações turísticas não apenas de Roma, mas de toda a Itália, e para muitos estrangeiros é justamente uma das razões para visitar a cidade. No entanto, diante de uma situação excepcional como a morte de um trabalhador dentro do monumento, a administração optou por manter o local fechado em sinal de respeito.
Até a manhã desta quinta-feira, não havia comunicado oficial confirmando a retomada das visitas em 25 de setembro. A informação divulgada pelo Parque Arqueológico é de que o fechamento permanece válido durante todo o dia 24 e poderá ser alterado de acordo com novas determinações do Ministério da Cultura. Quem está em Roma ou possui ingresso para os próximos dias deve acompanhar os canais oficiais antes de se dirigir ao monumento.
A situação acabou criando um debate que vai além de uma simples visita cancelada. De um lado estão turistas que viajaram milhares de quilômetros, compraram ingressos antecipadamente e, em alguns casos, talvez não tenham outra oportunidade de conhecer o Coliseu. Do outro, está uma tragédia envolvendo um trabalhador de 22 anos que morreu enquanto exercia sua função dentro do monumento. E a frase dita pelo turista americano acabou sintetizando justamente esse choque entre a expectativa de quem está de férias e uma situação que, para os responsáveis pelo Coliseu, exigia a interrupção completa das atividades.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
<!– taboola
/taboola –>
Mais Lidas
Source: Turismo


