
De Wuhu, China
O iCAUR V25 será o segundo carro da nova marca do Grupo Chery a chegar ao Brasil, com lançamento previsto para o início do segundo semestre de 2027, depois do V27. Apresentado mundialmente durante o Chery International User Summit 2026, na China, o SUV aposta em um desenho inspirado nos utilitários clássicos e terá versões totalmente elétricas e elétricas com extensor de autonomia.
Estou na China a convite da Omoda & Jaecoo Brasil, acompanhando as novidades das marcas Omoda, Jaecoo, Lepas e iCAUR, além da AiMOGA, divisão de robótica e inteligência artificial do grupo. Durante o evento, tive a oportunidade de conhecer o V25 de perto, explorar os equipamentos, entrar na cabine e avaliar seus espaços internos.
Visual lembra Bandeirante e Jimny
A primeira impressão ao observar o V25 é de um SUV bastante robusto. A carroceria é formada por linhas predominantemente retas, com capô elevado, faróis circulares e para-brisa relativamente vertical.
A própria iCAUR utiliza a expressão Classic Never Fades, ou “o clássico nunca sai de moda”, para explicar a inspiração em utilitários tradicionais. E, nesse caso, as referências não são exatamente discretas.
A dianteira me lembrou um Toyota Bandeirante, enquanto as proporções da carroceria remetem a um Suzuki Jimny que tivesse crescido consideravelmente.
Gostei especialmente da pintura fosca da unidade apresentada, que combina bem com o desenho quadrado e reforça a aparência de um carro preparado para atividades fora de estrada.
As configurações exibidas apresentam diferenças na dianteira. Na versão elétrica com extensor de autonomia, a grade possui aberturas destinadas à refrigeração do motor a combustão. Já no modelo totalmente elétrico, a região frontal é mais fechada.
O V25 mede aproximadamente 4,63 metros de comprimento, 1,92 metro de largura, 1,85 metro de altura e 2,82 metros de entre-eixos. É um SUV com dimensões de modelo médio, mas que aparenta ser maior por causa das formas retas e do teto elevado.
Nas unidades expostas, encontrei rodas de 21 polegadas, com desenho que me agradou bastante. Os pneus, entretanto, tinham características mais voltadas ao asfalto do que a trilhas exigentes.
Traseira tem estepe externo e cabine bem aproveitada
Na traseira, o V25 mantém a proposta visual dos utilitários tradicionais, com formas verticais e estepe fixado externamente na tampa do porta-malas.
Gostei dessa solução. Além de combinar com o desenho, o estepe convencional é um equipamento que considero importante em um veículo destinado a enfrentar estradas de terra e regiões afastadas.
Esse detalhe também diferencia o V25 do V27 apresentado durante o evento, cuja configuração que conheci utilizava outro tipo de acabamento na tampa traseira.
A abertura do compartimento de bagagens revelou um espaço generoso, favorecido pela carroceria alta e pelas laterais quase verticais.
Também há estudos para uma eventual configuração de sete lugares, mas essa possibilidade ainda não foi confirmada para produção.
Interior tem comandos físicos e acabamento caprichado
Foi ao entrar no carro que tive uma das melhores impressões sobre o V25.
O interior segue o desenho robusto da carroceria, com superfícies retas, parafusos aparentes em alguns pontos e soluções que fazem referência aos utilitários tradicionais.
Mas a execução é moderna. Encontrei materiais de aparência bem cuidada, revestimentos agradáveis e detalhes de acabamento que ajudam a diferenciar o V25 de SUVs mais simples.
Gostei dos elementos de fixação e dos pequenos compartimentos distribuídos pela cabine. Há até soluções com tiras elásticas nas laterais, pensadas para acomodar objetos durante viagens.

Outro ponto positivo é a presença de comandos físicos para os retrovisores. É um detalhe que pode parecer pequeno, mas considero importante para a ergonomia. Nem toda função precisa ficar escondida nos menus da central multimídia.
O quadro de instrumentos digital da unidade apresentada mede 8,8 polegadas e exibe informações de condução, estado da bateria e, na configuração com extensor de autonomia, nível de combustível.
A central multimídia tem tela ampla e concentra configurações dos modos de condução, climatização, bancos e demais recursos eletrônicos.
Na unidade apresentada, pude observar funções de aquecimento e ventilação dos bancos, além de climatização individual e teto panorâmico.
Também gostei do visual do volante e da disposição geral dos comandos.

O interior combina a aparência tradicional dos utilitários com os equipamentos normalmente encontrados em SUVs chineses mais recentes.
Na segunda fileira, encontrei um ambiente bem resolvido, com recursos de climatização próprios. Entretanto, como o contato ocorreu durante uma apresentação bastante movimentada, não foi possível realizar uma análise mais aprofundada de todas as posições dos bancos.
V25 terá tecnologia elétrica com extensor de autonomia
Uma das tecnologias anunciadas pela iCAUR para o V25 é o sistema REEV, sigla para veículo elétrico com extensor de autonomia.
Nessa arquitetura, as rodas são movimentadas por motores elétricos, enquanto um motor a combustão funciona como gerador de energia. A proposta permite combinar a condução elétrica com a possibilidade de ampliar a autonomia utilizando combustível.
A fabricante também apresentou o sistema inteligente de tração integral i-AWD, destinado a administrar a distribuição de força entre os eixos conforme as condições de rodagem.
Durante a apresentação internacional, foram mostradas configurações de propulsão elétrica e com extensor de autonomia
Modos de condução incluem lama e terrenos escorregadios
Embora não tenha dirigido o V25, pude explorar alguns menus do veículo e observar os diferentes modos de condução disponíveis na unidade apresentada.
Além das configurações Eco, Comfort e Sport, o sistema oferece ajustes para terrenos de baixa aderência, incluindo lama e superfícies escorregadias.
Esses recursos fazem parte da proposta de utilizar o SUV tanto em deslocamentos cotidianos quanto em viagens por estradas de terra e regiões afastadas.
Vale a compra? Primeira impressão é positiva
Saí da apresentação do iCAUR V25 com uma impressão bastante positiva.
Gostei do desenho, especialmente da maneira como a fabricante recuperou referências de utilitários tradicionais sem transformar o carro em uma simples reprodução de modelos conhecidos.
As proporções são interessantes, as rodas combinam com a carroceria e a pintura fosca valoriza o conjunto.
Por dentro, gostei da qualidade aparente dos materiais, da ergonomia e da manutenção de comandos físicos para algumas funções. O espaço interno também parece bem aproveitado, algo importante para um SUV que deverá atender famílias e consumidores interessados em viagens.
Entretanto, ainda existem perguntas importantes.
A primeira é como o V25 se comporta ao volante. Quero avaliar direção, suspensão, freios e respostas dos motores, especialmente em pisos brasileiros e em situações fora de estrada.
A segunda envolve a configuração nacional. A marca ainda não confirmou quais versões, baterias e equipamentos serão oferecidos no Brasil.
Por último, existe a questão do preço. O V25 terá de encontrar espaço em um mercado que já conta com alternativas como o GWM Tank 300 e outros SUVs eletrificados de aparência aventureira.
A iCAUR iniciará suas operações comerciais no Brasil entre março e abril de 2027 com o V27. O V25 será o segundo lançamento, previsto para o início do segundo semestre, enquanto o V23 também está confirmado para o mesmo ano.
Se a fabricante conseguir preservar o acabamento e os equipamentos apresentados na China, oferecer um conjunto mecânico competitivo e acertar na tabela de preços, acredito que o V25 terá boas possibilidades no Brasil.
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