
A eletrificação do transporte coletivo começa a ganhar uma nova dimensão no Brasil, e a cidade de São Paulo está no centro desse movimento, impulsionada pelas metas de redução de emissões estabelecidas para a frota municipal. Até 2038, a capital paulista prevê reduzir em 100% as emissões de CO2 de origem fóssil dos ônibus, tomando como referência os níveis de 2016. Os números mais recentes mostram que essa transformação já começa a aparecer nos emplacamentos, com destaque para a BYD, que respondeu por 126 das 254 unidades emplacadas no país em agosto. É praticamente metade do total registrado no mês.

No acumulado de janeiro a agosto, a fabricante também aparece na liderança, com 301 veículos. Mas o crescimento dos emplacamentos revela apenas uma parte dessa transformação, já que colocar centenas — e futuramente milhares — de ônibus elétricos nas ruas esbarra em outra questão crucial: a estrutura necessária para suportar essa nova realidade. Um dos desafios está nas garagens, que precisam ser devidamente adaptadas, o que envolve a instalação de sistemas de recarga de alta potência, adequações na infraestrutura elétrica e a garantia de fornecimento de energia suficiente para carregar grandes frotas, muitas vezes simultaneamente durante a madrugada. Há ainda a questão financeira, que exige investimento inicial alto nos ônibus elétricos e na infraestrutura necessária (e que segue superior ao de uma operação convencional). Essa é uma condição que aumenta a importância da abertura linhas de financiamento, incentivos e novos modelos de contratação capazes de viabilizar e acelerar essa transição.
BYD atinge marca de mil unidades produzidas no Brasil
A produção nacional também entra nessa equação. A BYD, que produz chassis de ônibus elétricos em sua fábrica de Campinas (SP), alcançou recentemente a marca de mil unidades produzidas no Brasil. À medida que o mercado ganha escala, ampliar a produção local e a cadeia de fornecedores pode ajudar a reduzir a exposição às variações cambiais e aos custos logísticos, além de favorecer a disponibilidade de peças e a estrutura de assistência técnica.

O crescimento dos ônibus elétricos demonstra que o Brasil começa a avançar para uma nova etapa da mobilidade urbana também no transporte coletivo de passageiros, enquanto a indústria amplia sua capacidade de oferta. O desafio agora é fazer esse crescimento avançar acompanhado de um planejamento sustentável para o desenvolvimento da infraestrutura necessária.
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Source: Carros


