Setembro vira o novo queridinho para viajar pela Europa
Reproducao / Vitor Vianna

Setembro vira o novo queridinho para viajar pela Europa

As reservas para setembro de 2026 cresceram 57% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da plataforma de viagens eSky. A Espanha lidera a preferência, concentrando 27,9% das viagens reservadas para o período, seguida pela Grécia, com 17%, e pela Itália, com 10%. Os números confirmam uma mudança de comportamento que o mercado vem observando há alguns anos: em vez de concentrar as férias em julho e agosto, uma parcela crescente de viajantes está escolhendo o período imediatamente posterior ao pico do verão europeu.

O clima como primeiro argumento
Setembro funciona como uma transição entre o verão e o início do outono no Hemisfério Norte. Em boa parte da Europa, principalmente nas primeiras semanas do mês, ainda se encontram temperaturas típicas de fim de verão, sem necessariamente o calor extremo que alguns destinos vêm registrando em julho e agosto. Esse detalhe deixou de ser secundário. As ondas de calor dos últimos verões europeus mudaram a percepção de conforto de quem viaja e passaram a pesar na decisão de data tanto quanto o preço da passagem.

Para quem procura praia, o sul do continente segue especialmente favorável. Regiões da Espanha, da Itália, da Grécia e de Portugal, além de várias ilhas do Mediterrâneo, mantêm dias quentes e temperatura da água agradável, muitas vezes até melhor do que no início do verão, já que o mar leva meses para acumular calor. Ao mesmo tempo, cidades históricas e destinos urbanos ficam mais confortáveis para quem passa boa parte do dia caminhando, que é exatamente o tipo de roteiro mais penalizado quando o termômetro passa dos 35 graus.

Há, porém, um ponto que quase nunca aparece nas manchetes sobre o “Super September” e que precisa ser dito com clareza: a Europa não tem um clima só. O continente é longo no sentido norte-sul, e setembro atinge cada faixa dele de um jeito diferente. Enquanto o Mediterrâneo ainda vive um verão tardio, a Europa Central e o norte já começam a virar a chave. É perfeitamente possível que dois viajantes brasileiros embarquem na mesma semana e vivam estações distintas, um com trinta e poucos graus na Croácia, outro com casaco fechado na República Tcheca. Planejar setembro exige olhar o destino específico, e não a ideia genérica de “Europa”.

Menos gente, mas não vazio
Julho e agosto seguem extremamente movimentados na Europa, principalmente porque coincidem com as férias escolares e com o período tradicional de férias dos próprios europeus. Em setembro, parte desse fluxo diminui, sobretudo depois que as escolas voltam a funcionar na primeira quinzena.

Isso não significa encontrar os principais destinos vazios. Paris, Roma, Barcelona, Veneza e Amsterdã continuam recebendo grandes volumes de visitantes o ano inteiro, e nenhuma dessas cidades oferece baixa temporada real. O que muda é a intensidade. Dependendo do destino e, principalmente, na segunda metade do mês, as filas encurtam, restaurantes voltam a aceitar reserva com menos antecedência e atrações com controle de acesso, como o Coliseu, a Sagrada Família ou os museus vaticanos, deixam de esgotar ingressos com semanas de antecipação.

A questão dos preços
Com o encerramento da altíssima temporada, hotéis, voos e alguns serviços turísticos costumam apresentar tarifas menores em determinados destinos. A ressalva é relevante: com o crescimento acelerado da procura, essa diferença deixou de ser garantida. Quanto mais popular o mês se torna, maior a pressão sobre passagens e hospedagens, e um crescimento de 57% em reservas é exatamente o tipo de movimento que o setor aéreo e a hotelaria leem rapidamente na precificação.

Setembro, portanto, já não deve ser tratado como baixa temporada. O que se desenha é uma temporada intermediária premium: o mês preserva boa parte das vantagens do verão e evita seus principais incômodos, mas exige o mesmo rigor de planejamento de uma alta temporada. Quem reserva com antecedência ainda encontra combinações muito boas de preço e experiência. Quem deixa para a última hora acreditando que vai pegar sobra de temporada tende a se frustrar.

Um calendário que ajuda
Setembro também é um mês forte em programação cultural e gastronômica na Europa. É quando começam as vindimas em regiões produtoras de vinho, quando festivais e temporadas de ópera e teatro reabrem depois da pausa de verão e quando o calendário de eventos locais volta a se encher. Para quem monta roteiro com algum interesse específico, seja vinho, música ou gastronomia, a oferta de setembro costuma ser mais rica do que a de agosto, mês em que boa parte da Europa continental praticamente para, com comércio e restaurantes fechados por férias coletivas.

Vale considerar ainda o efeito visual. Enquanto praias e ilhas do Mediterrâneo mantêm o clima de verão, os destinos de natureza começam gradualmente a mudar de aparência com a chegada do outono, criando uma janela em que é possível combinar mar e paisagem de transição na mesma viagem, desde que o roteiro seja desenhado com essa lógica em mente.

Uma mudança que veio para ficar
O crescimento do “Super September” reflete uma reorganização mais ampla na forma de planejar férias. Para uma parcela crescente de viajantes, deixou de fazer sentido disputar a Europa justamente nos dois meses mais cheios, mais quentes e, com frequência, mais caros do ano. Setembro está deixando de ser apenas o mês seguinte às férias de verão para se firmar como um dos melhores períodos para conhecer o continente.

Dica do Vitor
Escrevo esta coluna de Praga, e aqui a temperatura mínima está batendo dez graus. Já é frio de casaco, cachecol de manhã e noites que pedem ambiente fechado. No mesmo momento, Roma e boa parte da costa da Croácia passam dos trinta graus, com gente na praia e mar em temperatura de banho. É esse o retrato real de setembro na Europa, e ele derruba a ideia de que o mês tem um clima único. Por isso, minha recomendação prática é simples e vale mais do que qualquer regra geral: olhe a previsão do tempo do destino específico, e não da Europa como bloco, e faça isso com pelo menos duas semanas de antecedência, refazendo a consulta na véspera do embarque. Se o roteiro combina Europa Central com Mediterrâneo, e muita gente monta assim, você vai precisar de duas malas dentro de uma. Camadas resolvem: camiseta, uma segunda peça de manga longa e um corta-vento leve cobrem quase todos os cenários sem ocupar espaço.

Outros dois pontos que costumo reforçar. Evite a primeira semana do mês, que ainda carrega resíduo de alta temporada em preço e movimento; a janela mais interessante começa na segunda quinzena, quando as escolas europeias já retomaram. E feche o aéreo com pelo menos quatro meses de antecedência, porque a demanda para setembro está subindo rápido e as tarifas promocionais somem cedo. Setembro recompensa quem planeja, não quem improvisa.

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