Mobilidade urbana deve ser levada em conta pelas empresas
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Mobilidade urbana deve ser levada em conta pelas empresas

Por muito tempo, quando uma empresa falava em reduzir sua pegada de carbono, o caminho percorrido por seus próprios funcionários até o trabalho parecia não fazer parte da conta. A operação estava dentro dos muros da companhia; o trajeto de casa para o escritório, não.

Essa separação começa a perder sentido à medida que as empresas ampliam o olhar sobre as emissões indiretas e passam a acompanhar também o impacto da mobilidade de seus colaboradores. Sobretudo nos tempos em que o trabalho remoto vem sendo cada vez mais considerado.

O deslocamento diário entra no radar do chamado Escopo 3, que reúne emissões indiretas da cadeia de valor. Na prática, isso significa que o ônibus fretado, que durante anos foi tratado apenas como uma solução logística para levar funcionários ao trabalho, começa a assumir outra função: gerar dados que ajudam a medir e reduzir emissões.

Dados mensuráveis

A tecnologia tem papel central nessa transformação. Informações como número de passageiros, ocupação dos veículos, quilometragem e consumo de combustível permitem comparar diferentes formas de deslocamento e estimar a quantidade de carbono evitada quando trajetos individuais são substituídos por transporte compartilhado.

Em entrevista exclusiva à esta coluna, João Rezende, Diretor global de Marca e Comunicação, da BUSUP, plataforma global de gestão para mobilidade corporativa, chama atenção justamente para esse ponto.

“O transporte é um dos grandes vilões quando a gente fala em emissão de carbono no Escopo 3. Durante muito tempo o transporte foi visto só como um custo a mais para a companhia apenas levar profissional ao trabalho.”

A dimensão do problema ajuda a explicar por que esse movimento ganha relevância. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 22,6 milhões de brasileiros usam automóvel para chegar ao emprego. Em um cenário como esse, compartilhar trajetos pode significar não apenas menos veículos nas ruas, mas também uma redução mensurável das emissões.

Um exemplo ajuda a visualizar a diferença. Segundo dados apresentados pela BUSUP, um ônibus com 40 pessoas pode retirar cerca de 33 carros das ruas. Em 2025, a empresa calcula ter evitado a emissão de 18,4 milhões de quilos de CO₂ por meio de sua operação de transporte compartilhado.

Eficiência

Mas há uma ressalva importante: não basta colocar mais pessoas dentro de um ônibus. É preciso que o sistema seja eficiente. Rotas bem dimensionadas, ocupação adequada e acompanhamento dos deslocamentos são parte da equação. Como resume João, “não é só entregar o transporte compartilhado, ele tem que ser otimizado”.

É justamente aí que a mobilidade deixa de ser apenas uma questão de transporte e passa a conversar diretamente com a agenda climática. Com plataformas digitais, as empresas conseguem acompanhar a operação e transformar aquilo que antes era pouco visível em indicador ambiental.

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Os números apresentados pela BUSUP mostram essa diferença. Enquanto um motorista de veículo utilitário emite, em média, 6,56 quilos de CO₂ por dia, usuários atendidos pelo modelo de transporte compartilhado da empresa geram cerca de 1,73 quilo. A diferença representa uma economia diária de 4,83 quilos de CO₂ por passageiro, segundo a companhia.

Há, portanto, uma transformação silenciosa acontecendo na maneira como as empresas enxergam seus compromissos climáticos.“A descarbonização não termina na porta da fábrica, do escritório ou do centro de distribuição. Ela acompanha as pessoas no caminho até esses lugares”. 

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